O Setor de Radioterapia do Centro Oncológico Mogi das Cruzes tem no seu protocolo de tratamento a Radiocirurgia Estereotáxica, que pode ser fracionada ou não.

Trata-se de uma técnica não-invasiva utilizada para tratar metástases e lesões benignas.

A Radiocirurgia permite aplicar em uma única fração, uma alta dose de radiação no tumor com grande precisão e segurança, minimizando a dose nos tecidos sadios.

O tratamento é indicado para lesões cerebrais de, no máximo, quatro centímetros. Para este procedimento é necessário sistema de mobilização e softwares dedicados.

Ao lado, veja aplicação para Radioterapia do Sistema Nervoso Central.

Radiocirurgia ou Estereotaxia Fracionada (ou Radioterapia Estereotáxica)

A Radioterapia Estereotáxica é o tratamento fracionado de um alvo definido por estereotaxia.

O que diferencia a Radiocirurgia da Esteriotaxia fracionada, no geral, é a quantidade de aplicações visto que é utilizado o mesmo posicionamento e acessórios.

Os campos de tratamento nesta modalidade de tratamento medem entre 10 a 40 mm (significativamente menores que em Radioterapia convencional) e, quanto menores forem esses campos, mais acurado fica o planejamento e maior é a proteção de tecido cerebral normal. Assim, a Radiocirurgia em aceleradores lineares sempre vai requerer sistemas de colimadores extras para o feixe de irradiação.

No Centro Oncológico Mogi das Cruzes é realizado a Radiocirurgia Estereotaxia e a Radiocirurgia Estereotaxia fracionada no acelerador da marca ELEKTA, modelo Precise utilizando a energia de 6MV.

Para este tratamento, usa-se o feixe de energia de 6MV, com colimadores desenvolvidos nas formas de cones, de diferentes diâmetros que variam de10 a40mm (figura 2), capazes de liberar um feixe cujas bordas apresentavam um gradiente de dose muito mais íngreme que os colimadores convencionais. Essa característica permite melhor centralização da dose no isocentro do volume-alvo.

Estes cones são acoplados no acelerador linear (figura 3), que se movimenta em arcos, de acordo com o planejamento realizado no sistema computadorizado dedicado a Radiocirurgia. Geralmente, são realizados de 5 a 6 arcos por aplicação (ou seja, por dia de tratamento).

(Fig. 1) Acelerador linear Precise Elekta: digital, com duas energias de fótons e seis de elétrons

(Fig. 2) Diâmetros disponíveis de cones no Centro Oncológico usados em radiocirurgia.

(Fig. 3) Acessório fixado ao porta-bandeja do acelerador onde são acoplados os cones.

(Fig. 4) Paciente imobilizado para a realização do tratamento

(Fig. 5) Reconstrução tridimensional do tratamento a ser realizado. A esfera verde é a curva de isodose escolhida, ou seja, é a dose recebida no alvo definido.

(Fig. 6) Fusão de imagens (ressonância + tomografia) para visualização da lesão.

(Fig. 7) Distribuição dos campos em arco.

As etapas do tratamento

  • Após a avaliação do radioterapeuta e a indicação de Estereotaxia, é agendado um horário com a equipe do Centro Oncológico Mogi das Cruzes para tirar o molde das arcadas superiores e inferiores.

  • Estes moldes são encaminhados ao protético para ser confeccionado o molde em acrílico que será usado para a fixação do paciente durante o tratamento (figura 4).

  • Com o molde pronto, é agendada a simulação para moldar a máscara junto com o aro estereotáxico (figura 4).

  • O paciente deve realizar uma ressonância magnética com espessura dos corte de no máximo 3 mm. As imagens devem ser gravadas em formato digital (em CD).

  • Com os acessórios moldados, o paciente é encaminhado para a realização da tomografia computadorizada que é acompanhada por dois técnicos do Centro Oncológico Mogi das Cruzes para posicioná-lo de forma a ser reprodutível no dia-a-dia do tratamento. Deve-se realizar o exame com os acessórios que serão usados no tratamento. A espessura das fatias devem ter no máximo 3 mm.

  • As imagens da tomografia e ressonância são importadas para o sistema de planejamento tridimensional: o MNPS da Mevis. É feita a fusão de imagens pelo físico-médico e o radioterapeuta.

  • O radioterapeuta desenha as estruturas a serem tratadas e os órgãos que serão preservados da radiação durante o tratamento.

  • Com a definição da região a ser tratada, o físico faz o planejamento com feixes circulares em arcos para deixar a dose no alvo homogênea, avaliando também as doses recebidas nas estruturas adjacentes. O radioterapeuta aprova ou não o planejamento.

  • Após a aprovação, antes de convocar o paciente da Estereotaxia, é feita a simulação do tratamento no acelerador linear sem a presença do paciente apenas para verificação dos arcos, se o giro da mesa não está em conflito com o movimento do Gantry.

  • A ficha técnica é prescrita pelo radioterapeuta: dose tumor total, e quantidade de dias do tratamento. O físico-médico preenche a quantidade de arcos por dia, diâmetro do cone, unidades-monitoras e os parâmetros do equipamento: ângulo de mesa, gantry e do colimador.

  • Estes dados são transferidos para o computador do acelerador, sendo armazenados até o final do tratamento.\

  • Após concluída toda essa etapa, o paciente inicia a Estereotaxia.

  • O tratamento é realizado todos os dias, de segunda a sexta-feira (com exceção da Radiocirurgia onde o tratamento é realizado em dose única).

  • A quantidade de dias de tratamento dependerá da prescrição médica.